Lei de Murphy em Kyoto

Se tem algo que funciona bem no Japão é a previsão do tempo. Chega a ser irritante. Está o maior sol lá fora, nenhuma nuvem no horizonte e o aplicativo do tempo diz que vai chover em 20 minutos. Você imagina que “esse treco deve estar errado” pois “não é uma ciência exata” – blábláblábláblá – e sai sem sombrinha. 19 minutos depois chove aquela chuva que molha até a alma. Erraram por um minuto, não é uma ciência exata mesmo, ranhanhanhanhá, você tinha razão.

Daí a sogra vem te visitar e vocês decidem ir dar um rolé em Kyoto. Para ver as cerejeiras em flores. A sogra gosta de flores, você vai marcar uns pontos. Você que sabe tudo diz que precisa levar guarda-chuva pois está escrito aqui, ó, no aplicativo do tempo, que vai chover em Kyoto. Nada de sombrinha, guarda-chuva mesmo pois vai chover bastante. Aquele bem grande que é chato de carregar. Ela te lança um olhar torto de descrença, você sorri internamente pois tem certeza que vai rir por último. A chuva estava marcada para segunda à tarde. Já é quinta aqui no Japão e você está sentada olhando o céu azul, esperando a chuva que não veio. A cada “nossa, tivemos sorte com o tempo” você abaixa a cabeça humildemente para a pessoa que, de qualquer maneira sabe mais do que você, e que foi capaz de fazer a previsão, que nunca dá errado, errar.

Mas enfim, você organizou tudo direitinho, olhou lá no calendário das cerejeiras a melhor data para vir para Kyoto. Normalmente as árvores florescem durante duas semanas e é um dos eventos anuais mais importantes no Japão. É o famoso período rosa. Onde, você toma cerveja rosa (juro), come docinhos rosa, vê um monte de Kimono rosa levando batons rosa para passear. Tem até uma florzinha rosa desidratada que, quando você coloca no chá, abre.

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É fofo. Mas você promete a si mesma que vai comprar umas florzinhas para fazer um autodafé – e talvez até decapitar uns Hello Kitty – para exorcizar todo esse rosa.

A data em que as cerejeiras florescem marca o final do ano letivo e dá início àquele período agradável pós missão cumprida em que os estudantes invadem os templos vestindo lindos kimonos para tirar selfies com os coleguinhas na frente das árvores em flores. Só que não desta vez. Pela primeira vez em décadas as flores estão atrasadas. Claro, você está aqui com a sogra. Que está sorrindo internamente, a natureza não é uma ciência exata, ranhanhanhanhá. É o capeta do Murphy-san te perseguindo.

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Publicado por

Marcela Meirelles

2 blogs: - One photoblog in French: https://marcelameirellesphotoblog.com - One blog in Portuguese: https://essacoisadeescrever.com

3 comentários em “Lei de Murphy em Kyoto”

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