A bruxa e os likes

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Hoje acordei com a cabeça transbordando fantasia, explodindo com ideias coloridas (piscadela aqui para minha amiga Caro). Como quase todo dia.

Antes de acordar plenamente vivo um momento interno de pura criação. Meu livro se escreve na minha mente, o artigo inteiro do blog aparece como mágica, pluft. Fácil.

Quando estou estressada chego até a responder e-mails. Percebo quão insano o negócio é, quando o destinatário me escreve para me lembrar que ainda está esperando a resposta:

– Mas eu te respondi há três dias, verifica no spam.

Internamente: puxa, mais um e-mail de louca mandado. Parecia tão real…

É, faço isso com frequência. Nos dias bem tranquilos, cantarolo uma musiquinha. E voltando para o tópico, em 90% dos dias, crio.

O problema é quando me aproximo do momento que acordo para a realidade. Onde o “acorda logo, tá tudo atrasado” e o “meu, levanta, você não vai dar conta de tudo se continuar dormindo” aparecem. Infelizmente, em 90% dos dias, largo tudo que criei segundo antes, esqueço o papel e a caneta e vou fazer as coisas absolutamenteimportantíssimasquenãodápradeixarparadepoisahhhhhhh (piscadela aqui para minha amiga Elenita do blog Palabra de leona, não sei por que mas estou com vontade de piscar hoje).

Aí chega a frustração. O protagonista que está definido na minha cabeça vai padecendo pouco a pouco. O “deixa eu terminar essa coisa urgente para poder escrever depois” surge.

Aí chega o mal humor.

Mas hoje, não. Hoje, quando as frases que me fazem culpabilizar vieram se intrometer no meu momento criativo matinal, respondi:

– Amorzinho (sim, me chamei de amorzinho, piscadela pra mim), hoje é sábado, esquece os tenho que!

– E tem a festinha de Halloween hoje à noite, escreve uma história de bruxa vai!

Chapéu de bruxa

Nunca gostei muito de Halloween. Crítica social expert que sou, sempre achei muito comercial. Devo estar chegando na idade em que os extremos se aproximam e que os nunca e os sempre são relativizados. Esse ano, decidi não me esconder (e apagar todas as luzes da casa) quando as crianças passam. Talvez até role uma decoração. E uma fantasia. Discreta.

Decidi festejar Halloween esse ano pois:

  • Adoro filme de horror.

Amo de paixão. Preciso do meu filme de horror semanal caso contrário surto.

  • Tenho Thriller do Michael no meu celular como música favorita.
  • Nem preciso falar de Harry Potter.
  • Às vezes acho que voo numa vassoura.

Buscando ontem um filme de horror semanal, dei de cara com o episódio Nosedive da série Black mirror. Desde os primeiros segundos fiquei horrorizada. Os olhos arregalados na frente da tv. Portanto, o ambiente é rosa, o tom pastel, tudo meio Instagram. Os sorrisos são falsos, a sinceridade banida, o celular onipresente, os likes onipotentes.

Você já percebeu que não é um clássico de horror, né? No entanto é horror puro. Brilhante.

Dá muito medo. Medo pois é muito real. Medo pois nos reconhecemos. Medo que os likes nos definam. Medo desse mundo futurista que, no fundo, é o nosso. Brrrrr.

O mesmo espírito de revolta que me fez estudar todo dia depois dessa PEC da ignorância (revolta isolada e provavelmente inútil, assumo) baixou em mim no final do episódio. Deu vontade de sair de todas as redes sociais, de pôr o pé na grama, de correr na chuva, de ter um ratinho como bicho de estimação, de voar na lua cheia. Deu vontade de soltar a bruxa que vive em mim.

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Publicado por

Marcela Meirelles

2 blogs: - One photoblog in French: https://marcelameirellesphotoblog.com - One blog in Portuguese: https://essacoisadeescrever.com

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