A ilha do Meirelles

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Meu avô… opa, que estranho escrever isso. Recomeçando, o Irone. Não, não soa natural. O Herodes. Hum. O Nanico? Acho que tenho um leve problema. Ou dois.

Começar um texto nunca é fácil, às vezes as palavras simplesmente saem, não sei muito bem de onde, mas saem. E às vezes, como agora, o negócio já emperra na primeira letra. Como nomear meu protagonista? Quanto mais ouço depoimentos lembranças sobre o ser em questão mais ele se transforma. Me desculpe Heráclito mas meu avô era plural. Como o Deus de Muitas Faces da famosa série de TV. Não acredito que formulei essa frase. Foco.
Plural mas não um camaleão. A personalidade era única, generosa, alegre. E a pluralidade? Bem, cada pessoa com quem converso me mostra uma face nova dele.
— Qual lembrança você tem do meu avô?
— Ele judiava da Tinã.
— Oi?
— Ele a chamava de polaca vesga.
— Ok.
— O que mais?
— Ela o adorava.
— Hum.
Quanto mais penso em sua vida, quanto mais escuto falar dele, mais ele se transforma. O Meirelles não é apenas o meu avô, aquela criatura que escutava pacientemente comigo, e durante horas a fio, o disco Arca de Noé na minha vitrola alaranjada (detalhe super importante da lembrança: acho que o disco era azul). Ele faleceu antes de Plunct Plact Zum e não conheceu o Fofão. Meu avô faleceu em 1982. Lembra, essa era minha primeira frase. Aquela que emperrou lá no começo do texto.
O Meirelles faleceu em 1982. Adoro pleonasmo. Neste mesmo ano Thelma Rydygier escreveu um lindo texto, que virou um quadro exposto no corredor da casa da minha avó. Cada vez que alguém passa na frente, dá uma risadinha lembrando de algo.
É a primeira testemunho depoimento lembrança que quero dividir com vocês.
Sim, como o título indica fala da Ilha do Mel. Fala do Seu Diamantino, seu amigo querido. Introduz bem nosso personagem, doravante denominado Meirelles. Introduz bem nosso quadro.
Não esse quadro:
Mas… o quadro da primeira parte das Histórias do Meirelles, enfim, o contexto, a cena, o lugar (se você riu aqui é porque temos o mesmo humor de décimo grau).
Com vocês, Thelma Rydygier:
“A Ilha do Meirelles…
Você sabe como era a Ilha do Meirelles?
Era uma Ilha de amizade, de companheirismo, de alegria. “Isto que é viver” dizia o Meirelles, almoçando à sombra das árvores da Ilha, ao assar uma picanha, ao tomar banho de mar, ao ganhar uma partida de “buraco”…
Amigo sempre pronto a dar uma mão, sempre pronto com um abraço e um sorriso quando se chegava na Ilha.
O Meirelles dos brados de alegria, das longas caminhadas ao Forte e às Encantadas. Daquele passeio às Encantadas pelo “atalho” atolando nas areias moles do mar de dentro, e todo mundo xingando e o Meirelles maroto, dando suas risadas…
A Ilha do Meirelles…
Amigo dos ilhéus, varrendo todas as manhãs o boteco do Diamantino… Das brincadeiras com a velha Hilda… Das noites estreladas… Das noites de luar… Das pinguinhas… Do calor humano, da verdadeira amizade.
A Ilha do Meirelles…
Sentiremos a sua falta em todas as ocasiões, mas creio que de algum modo você estará sempre presente.
Adeus Amigo, A Deus.”

(Thelma Rydygier)

Se você não chorou é porque não conheceu o Meirelles. Se você não teve pelo menos um arrepiozinho, procure ajuda com urgência …

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Publicado por

Marcela Meirelles

2 blogs: - One photoblog in French: https://marcelameirellesphotoblog.com - One blog in Portuguese: https://essacoisadeescrever.com

Um comentário em “A ilha do Meirelles”

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